Ascensão e Queda de Grandes Potências
A Europa X o Resto do Mundo
Este trabalho baseia-se na análise dos textos de Arno J. Mayer, A Força da Tradição (Introdução, pp.13-25) e de G. Barraclough, Introdução à História Contemporânea (capítulo IV). Esses trabalhos buscam entender quais foram as causas inerentes à política interna e à conjuntura externa à política européia que deflagraram a quebra da hegemonia dos países deste continente nas questões internacionais e, a conseqüente ascensão das potências extra-européias, como as denomina Barraclough. Começaremos, pois, pelas questões referentes à política interna européia segundo Arno J. Mayer:
Segundo Mayer, os historiadores, ávidos pela análise das forças de transformação, na busca pelos setores e esferas que deflagraram as mudanças na história, negligenciaram as forças contrárias a esse processo, ou seja as forças da reação. Para ele, "Os historiadores culturais refletiam demoradamente sobre as vanguardas artísticas, abandonando, assim, a análise das artes acadêmicas, consideradas conservadoras, exauridas e obstruindo ‘ a marcha para o modernismo’." Afirma veementemente, que as estruturas da Europa feudal subsistiram neste continente até 1914, quando a Primeira Guerra Mundial modificou o arranjo de equilíbrio europeu estabelecido em Viena. Destaca ainda que enquanto "o estamento agrário" uniu-se na defesa dos seus interesses, visando a manutenção dos seus privilégios, a alta burguesia, ao contrário, também funcionava como uma força reacionária, porque –numa linguagem marxista –negava sua condição de classe burguesa ao voltar-se para objetivos enobrecedores dificultando, assim, sua constituição e reconhecimento de "classe em si" e, o mais importante, de "classe para si". Portanto, para Arno J. Mayer, a Europa encontrava-se em total estagnação, do ponto de vista político, econômico e social, até a primeira grande guerra.
Geoffrey Barraclough, por seu lado, apresenta a mudança do sistema multilateral de equilíbrio europeu, cujo centro era a Europa, para uma ordem bipolar entre potências não européias, os Estados Unidos e a União Soviética. Percebe-se portanto que sua análise respeitará o curso dos acontecimentos históricos internacionais para explicar a mudança no eixo geopolítico mundial, a partir do processo de unificações tardias na Europa e, da competição entre estas potências e as novas forças que emergiam. Para ele, o anúncio, em 1898 de uma nova política naval alemã é o primeiro passo de desestabilização do equilíbrio entre os interesses europeus, uma vez que este ameaçava a hegemonia marítima inglesa. Têm-se ainda, o crescimento industrial desigual das potências européias e destas em relação às novas potências industriais fora do continente (EUA-RUS-JAP). Por isso, a respeito da corrida imperialista ele dirá que "durante praticamente todo o século XIX, havia espaço para acomodar todo o mundo" , mas, em 1900, os brancos vindos da Europa já estavam presentes em praticamente todos os "teatros" do mundo, deflagrando um crescente embate de interesses. Outro fator relevante, e que iria determinar a nova ordem foi a revolução de 1917 na Rússia e a luta ideológica que se segue entre Estados Unidos e União Soviética. A era da "Política Mundial", caracterizava-se pela "consolidação de grandes, estabilizados blocos continentais, num mundo em que as áreas de livre manobra desapareceram e as posições de poder congelaram."
Portanto, apresentaram-se duas teorias para a mudança do centro ético normativo do mundo, da Europa para as potências mundiais: a primeira remete-se à inabilidade européia de gerir transformações na sua política interna, fazendo deste um continente velho e atrasado e; a Segunda, associa os problemas internos europeus –porém de forma menos controversa – à conjuntura internacional –surgimento de novas potências extra-européias, as questões imperialistas e a ordem bipolar.

2 Comments:
Tatiana,
Fiquei com um 'gostinho de quero mais' na conclusão. Acho que poderia ter confrontado mais as duas propostas de modo a embasar as principais diferenças que você aponta na introdução. A Introdução esta excelente, mas a conclusão, apesar de boa sintese, um pouco superficial.
Anyway, excelente trabalho como sempre.
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